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Panorama da Hotelaria Brasileira: prévia do 2º trimestre e julho de 2014

Karen Mariano

Nessa prévia do Panorama da Hotelaria Brasileira, foram analisados os meses de abril, maio, junho e julho, excepcionalmente, devido à realização da Copa do Mundo. De modo geral, as cidades alcançaram bons resultados, com exceção de Belo Horizonte, que foi a única a apresentar queda de RevPAR. O evento esportivo fez com que a diária média sofresse aumentos significativos, apesar da queda de ocupação em alguns mercados, principalmente no período de intervalo entre um jogo e outro.

Comparando o 2º trimestre e julho de 2014 com o mesmo período de 2013, a amostra analisada obteve o maior aumento de RevPAR (11,8%) desde 2011, impulsionado pelo crescimento expressivo de diária (15,5%). A demanda, por sua vez, evoluiu em patamar inferior ao da oferta (4,6% e 8,1%, respectivamente), o que levou à queda de ocupação do mercado hoteleiro (3,2%). 

* Amostra analisada (30.898 UHs): Rio de Janeiro (3.266 UHs), São Paulo (13.151 UHs), Salvador (5.538 UHs), Curitiba (1.856 UHs), Porto Alegre (2.672 UHs) e Belo Horizonte (4.415).

** Variação de diária e RevPAR sobre valores nominais.

Os hotéis do Rio de Janeiro apresentaram forte aumento de demanda (12,8%), porém a oferta[1] cresceu de forma mais robusta (15,4%), devido à abertura de dois hotéis na Praia do Pepê, fazendo com que a ocupação sofresse leve queda (2,3%). Mesmo assim, tanto a diária quanto o RevPAR conseguiram obter incrementos expressivos (25,0% e 22,1%, respectivamente). A capital carioca foi um dos destinos mais procurado durante a Copa do Mundo, o que fez com que a cidade apresentasse altas taxas de ocupação durante todo o período do evento.

São Paulo apresentou o crescimento de tarifa (7,3%) mais modesto das cidades analisadas. A demanda hoteleira caiu (2,0%), já que a demanda induzida pela Copa não foi suficiente para compensar a queda do público de negócios durante o período do evento.  Assim, como praticamente não houve alteração da oferta (+0,9%), a ocupação caiu 2,8%. Por fim, o RevPAR evoluiu 4,3%. Como a capital paulista tem o maior número de UHs dos mercados analisados, foi a cidade-sede com a ocupação mais baixa durante a Copa do Mundo, mesmo tendo vendido a maior quantidade de pernoites.

A ocupação de Salvador teve o maior crescimento (9,5%) desde que a HVS/HotelInvest começou a analisar os dados da cidade, já que a demanda evoluiu de forma mais intensa que a oferta[2] (19,6% e 9,2%, respectivamente). A diária aumentou bastante (29,7%) e o RevPAR conseguiu crescer ainda mais (42,0%), apresentando a variação mais alta vista nos mercados analisados. Durante o período da Copa do Mundo, Salvador obteve uma boa ocupação, o que impulsionou o aumento das tarifas.

Os hotéis de Curitiba apresentaram crescimento de RevPAR (12,0%), muito em razão da diária média que evoluiu 12,9%. A ocupação quase não mudou (-0,9%), já que a variação de oferta foi nula e a demanda apresentou leve queda (0,8%). Com relação à Copa do Mundo, Curitiba voltou a contar com o público de negócios mais cedo, já que recebeu jogos até o dia 26/06, fazendo com que a cidade atingisse uma ocupação razoável no período.

Em Porto Alegre, dois novos hotéis abriram no período analisado, o que fez com que a amostra da oferta[3] aumentasse em 8,4%. A demanda teve um crescimento mais expressivo (9,8%), levando à evolução da taxa de ocupação do mercado (1,3%). O RevPAR dos empreendimentos hoteleiros também obteve incremento (27,6%), em razão principalmente do aumento de diária média (26,0%). Da mesma forma que Curitiba, a capital gaúcha também apresentou ocupação razoável no período da Copa, pois o último jogo que a cidade sediou aconteceu em 30/06, fazendo com que os negócios voltassem logo no começo de julho.

A oferta[4] da amostra de hotéis em Belo Horizonte aumentou bastante (32,3%), devido à abertura de 7 novos empreendimentos na cidade. Porém, a demanda cresceu apenas 5,0%, fazendo com que a ocupação tivesse a maior queda (20,6%) já vista no Panorama da Hotelaria Brasileira. Mesmo assim, a diária conseguiu evoluir 15,3%, mas não foi suficiente para impulsionar o aumento do RevPAR, que caiu 8,5%. Durante a Copa do Mundo, a capital mineira também apresentou ocupação razoável, mas o intervalo entre jogos chegou a 10 dias, afetando o desempenho dos hotéis.

A Copa do Mundo impactou os mercados analisados de forma positiva no que diz respeito à diária média. Entretanto, algumas cidades sofreram forte expansão de oferta, que poderá fazer com que a ocupação dos hotéis caia sensivelmente em curto e médio prazos. Para o segundo semestre, alguns mercados já sentiram a demanda do segmento de negócios e eventos mais aquecida, porém as incertezas com relação ao cenário político e econômico poderão afetar o desempenho do setor hoteleiro no país até o final do ano.



[1] Considerando o total de UHs qualificadas do mercado do Rio de Janeiro, a nova oferta hoteleira representa um acréscimo de 3,2% no período analisado.

[2] Considerando o total de UHs qualificadas do mercado de Salvador, a nova oferta hoteleira representa um acréscimo de 6,5% no período analisado. Parte desta oferta não é contemplada na amostra analisada.

[3] Considerando o total de UHs qualificadas do mercado de Porto Alegre, a nova oferta hoteleira representa um acréscimo de 11,8% no período analisado. Parte desta oferta não é contemplada na amostra analisada.

[4] Considerando o total de UHs qualificadas do mercado de Belo Horizonte, a nova oferta hoteleira representa um acréscimo de 55,4% no período analisado. Parte desta oferta não é contemplada na amostra analisada.