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Panorama da Hotelaria Brasileira: prévia do 3º trimestre de 2014

Karen Mariano

Confirmando as expectativas da última prévia, os mercados analisados no Panorama da Hotelaria Brasileira apresentaram indicadores positivos de desempenho. Os segmentos de negócios e eventos começaram a movimentar os hotéis das cidades de forma mais intensa, contribuindo para o crescimento de RevPAR, com exceção de Belo Horizonte que obteve queda pelo segundo trimestre consecutivo.

O 3º trimestre de 2014, se comparado ao mesmo período de 2013, apresentou crescimento significativo de demanda (5,2%), mas a oferta evoluiu ainda mais (7,3%), fazendo com que a ocupação sofresse leve retração (2,0%). A diária aumentou 6,6%, levando ao segundo maior crescimento de RevPAR (4,5%) visto desde o 3º trimestre de 2012.

A hotelaria do Rio de Janeiro obteve forte incremento de diária (10,6%), impulsionado principalmente pelo aumento de tarifa aplicado em julho durante a Copa do Mundo. A ocupação caiu 6,4%, já que a oferta[1] aumentou 14,8% e a demanda cresceu 7,4%, o que fez com que o RevPAR apresentasse elevação mais tímida (3,5%).

Depois de treze trimestres consecutivos de queda, a demanda por hotéis em São Paulo obteve crescimento (2,3%), levando ao aumento de ocupação (2,7%), uma vez que a oferta pouco variou (-0,4%). As tarifas avançaram de forma modesta (3,1%), mas o RevPAR obteve o maior reajuste positivo (5,9%) desde o final de 2012. Depois da Copa do Mundo, houve uma retomada da demanda de negócios e eventos, contribuindo para a melhoria do desempenho dos hotéis.

Salvador teve o maior crescimento de RevPAR das cidades analisadas, em razão do incremento expressivo de diária média (11,4%), especialmente durante a Copa do Mundo, e do aumento da taxa de ocupação (2,6%). A oferta[2] sofreu expansão de 9,2% e a demanda conseguiu evoluir com mais intensidade (12,1%). Ainda que o campeonato esportivo tenha acabado, os hotéis da capital baiana conseguiram obter incrementos de ocupação, devido aos eventos e congressos que a cidade sediou.

Mesmo o mês de julho apresentando desempenho abaixo do esperado para os hotéis de Curitiba, por conta dos jogos da Copa do Mundo terem acabado no final de junho para a cidade, o movimento dos meses de agosto e setembro compensou essa baixa. A oferta[3] cresceu 2,2%, em razão da abertura do Slaviero Slim Torres em setembro, e a demanda obteve crescimento modesto (0,7%), ocasionando queda de 1,5% da taxa de ocupação. As tarifas, por outro lado, conseguiram avançar de forma mais expressiva (9,3%), o que levou ao aumento de RevPAR (7,6%).

Os hotéis de Porto Alegre conseguiram aplicar um bom reajuste de diária (+7,7%), mesmo com queda significativa de ocupação (5,1%), o que fez com que o RevPAR aumentasse 2,1%. A demanda obteve variação positiva expressiva (13,7%), mas a oferta[4] cresceu ainda mais (19,9%). Apesar de a Copa do Mundo ter acabado em junho para a capital gaúcha, os empreendimentos hoteleiros da cidade conseguiram aumentar bastante suas tarifas em julho. Além disso, o mês de setembro também foi aquecido para os hotéis, devido à retomada da demanda de negócios e eventos.

Em Belo Horizonte, a abertura de novos empreendimentos hoteleiros afetou sensivelmente o desempenho do mercado local. A oferta[5] cresceu 22,9%, percentual muito acima do incremento de demanda (2,3%), o que fez com que a ocupação caísse drasticamente (16,7%). Ainda assim, a diária apresentou um bom aumento (11,2%), mas que não foi suficiente para aumentar o RevPAR, que sofreu retração de 7,4%.

A maior parte das cidades analisadas apresentou recuperação de mercado, com exceção daquelas que sofreram forte expansão de oferta. Espera-se que o aquecimento visto no 3º trimestre de 2014 perdure até o fim do ano.



[1] Considerando o total de UHs qualificadas do mercado do Rio de Janeiro, a nova oferta hoteleira representa um acréscimo de 1,8% no período analisado.

[2] Considerando o total de UHs qualificadas do mercado de Salvador, a nova oferta hoteleira representa um acréscimo de 6,5% no período analisado. Parte desta oferta não é contemplada na amostra analisada.

[3] Considerando o total de UHs qualificadas do mercado de Curitiba, a nova oferta hoteleira representa um acréscimo de 1,3% no período analisado. Parte desta oferta não é contemplada na amostra analisada.

[4] Considerando o total de UHs qualificadas do mercado de Porto Alegre, a nova oferta hoteleira representa um acréscimo de 11,8% no período analisado. Parte desta oferta não é contemplada na amostra analisada.

[5] Considerando o total de UHs qualificadas do mercado de Belo Horizonte, a nova oferta hoteleira representa um acréscimo de 41,8% no período analisado. Parte desta oferta não é contemplada na amostra analisada.