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Panorama da Hotelaria Brasileira: prévia do 4º trimestre de 2014

Pedro Cypriano Rebecca Ribeiro

Diferente do observado na última prévia, no quarto e último trimestre de 2014 as cidades analisadas no Panorama da Hotelaria Brasileira apresentaram queda de desempenho. Historicamente, períodos de eleições presidenciais podem afetar a demanda hoteleira de negócios e eventos. Especialmente este ano, as incertezas sobre o resultado das eleições e seu reflexo na economia desaqueceram o mercado corporativo no período. Estes fatores, aliados à expressiva expansão de oferta em algumas capitais, fez com que o RevPAR fosse negativo em todas as cidades, menos em São Paulo.

O 4º trimestre de 2014, se comparado ao mesmo período de 2013, apresentou crescimento de demanda (5,5%), mas a evolução da oferta foi maior (13,4%), fazendo com que a ocupação sofresse retração (7,0%). A diária também caiu (2,5%), levando à maior queda de RevPAR já observada desde o início do acompanhamento trimestral dos mercados (9,3%). 

 

Pelo primeiro trimestre desde o início das análises, a hotelaria do Rio de Janeiro apresentou queda em todos os indicadores de desempenho. Mesmo com o crescimento na demanda por hospedagem na amostra analisada (10,3%) o aumento da oferta[1] de 18,5% levou à queda de ocupação (6,9%) e, consequentemente, de diária média (2,2%). Assim, o RevPAR da cidade apresentou retração de 8,9%.

Assim como no 3º trimestre de 2014, a demanda hoteleira em São Paulo obteve crescimento (2,0%). Tendo a oferta variado apenas 0,7%, houve espaço para aumento, ainda que sensível, em todos os indicadores de desempenho – a taxa de ocupação subiu 1,3%, a diária média 0,3% e o RevPAR 1,6%. Os resultados da cidade no quarto trimestre foram os mais positivos dentre os mercados analisados e são decorrentes principalmente da estabilidade de oferta e da retomada dos negócios e eventos na cidade após o fim da Copa do Mundo.

Interrompendo a sequência de aumento de RevPAR visto desde o último trimestre de 2013, a amostra analisada de Salvador apresentou queda de 7,2% neste indicador, decorrente de uma diminuição de 5,5% na taxa de ocupação e de 1,8% na diária média. Estes resultados se deveram à queda de 0,9% na demanda e ao aumento da oferta[2] hoteleira na cidade (4,9%).

Apesar dos meses de agosto e setembro terem sido positivos para a hotelaria de Curitiba, como mostrou a última prévia, o quarto trimestre de 2014 teve retração na maioria dos indicadores de desempenho, resultado de uma expansão na oferta[3] (6,8%) e de uma queda na demanda (6,9%). Este cenário impactou diretamente a taxa de ocupação (-12,9%). Já a diária média apresentou um leve crescimento (3,9%), resultando na maior diminuição de RevPAR desde o início do acompanhamento trimestral da cidade (-9,5%).

A demanda hoteleira de Porto Alegre apresentou variação positiva expressiva (13,1%), mas a oferta[4] cresceu ainda mais (23,4%), o que levou a uma queda significativa de ocupação (8,3%). Com isso, os hoteleiros locais não foram capazes de aplicar um reajuste de diária, que diminuiu 2,0% e fez com que o RevPAR caísse 10,1%.

Em Belo Horizonte, a abertura de novos empreendimentos continua a impactar drasticamente o desempenho hoteleiro da cidade. A oferta[5] analisada cresceu 58,2% em relação ao mesmo período de 2013, assim, mesmo com o expressivo aumento da demanda (21,8%), a taxa de ocupação apresentou uma forte queda (23,0%), bem como a diária média (16,7%). Devido a esta situação de expansão da oferta, o RevPAR da amostra analisada apresentou queda de (35,8%). Além disso, é importante destacar que grande parte da nova oferta da amostra analisada é composta por empreendimentos do segmento econômico, o que também contribuiu para a queda da diária média da amostra.

Apesar da melhoria de desempenho no 3º trimestre de 2014, nos últimos meses do ano todas as capitais foram afetadas pelas incertezas econômicas e políticas no país. Para o próximo trimestre, em razão da baixa pressão de demanda nos mercados analisados, espera-se que a diária média continue perdendo fôlego. Em mercados que têm apresentado um aumento expressivo de oferta a situação pode ser mais intensa.



[1] Considerando o total de UHs qualificadas do mercado do Rio de Janeiro, a nova oferta hoteleira representa um acréscimo de 1,8% no período analisado.

[2] Considerando o total de UHs qualificadas do mercado de Salvador, a nova oferta hoteleira representa um acréscimo de 1,0% no período analisado. Parte desta oferta não é contemplada na amostra analisada.

[3] Considerando o total de UHs qualificadas do mercado de Curitiba, a nova oferta hoteleira representa um acréscimo de 1,3% no período analisado. Parte desta oferta não é contemplada na amostra analisada.

[4] Considerando o total de UHs qualificadas do mercado de Porto Alegre, a nova oferta hoteleira representa um acréscimo de 7,1% no período analisado. Parte desta oferta não é contemplada na amostra analisada.

[5] Considerando o total de UHs qualificadas do mercado de Belo Horizonte, a nova oferta hoteleira representa um acréscimo de 17,5% no período analisado. Parte desta oferta não é contemplada na amostra analisada.