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Um 2014 Razoável e um 2015 Desafiador

Cristiano Vasques

O ano de 2014 foi repleto de más notícias econômicas e políticas, que também afetaram a hotelaria nos principais mercados brasileiros. Revendo o Panorama da Hotelaria Brasileira 2013/2014, as perspectivas do início do ano passado não eram exatamente animadoras. Havia a ameaça do grande número de abertura de novos hotéis, muitas incertezas sobre o impacto da Copa do Mundo no setor e descrença em relação ao desempenho da economia.

De fato, a nova oferta chegou e impactou a ocupação de muitas cidades. A Copa do Mundo ocorreu sem nenhum grande percalço, mas o impacto na hotelaria foi limitado. E a economia desapontou aqueles que esperavam algum indício de recuperação.

Do ponto de vista hoteleiro, os dados preliminares de 2014 (janeiro a setembro) nos mostraram a seguinte situação:

·         Rio de Janeiro – Ocupação alta, mas com queda de quase 6%, decorrente de grande aumento na oferta. Forte aumento de diária média no acumulado do período, impulsionada pela Copa, mas houve queda no RevPAR em termos reais (considerando a inflação). Foi muito beneficiada pela Copa: nos meses de junho e julho, especificamente, a diária média subiu mais de 40%;

·         São Paulo – Ocupação estável e diária média crescendo menos que a inflação no acumulado do período. Foi a cidade mais prejudicada pela Copa do Mundo, com queda de quase 8% da ocupação nos meses de junho e julho;

·         Salvador – Ocupação em patamar baixo (56%) mas crescendo mesmo com aumento de oferta. Também foi beneficiada pela Copa do Mundo, com aumento de RevPAR de 65% em junho e julho;

·         Curitiba – Ocupação alta e crescendo em relação ao mesmo período de 2013, graças ao pequeno aumento de oferta. As diárias cresceram acima da inflação e o RevPAR foi cerca de 6% mais alto. Também foi prejudicada pela Copa, com queda de 7% nos meses de junho e julho, apesar de um aumento de 20% na diária no mesmo período;

·         Porto Alegre – Ocupação moderada e com leve crescimento, mesmo com abertura de novos hotéis. A diária média cresceu 12% no ano, impactada por um aumento de mais de 40% no período da Copa. Com isso, a RevPAR cresceu 7% acima da inflação;

·         Belo Horizonte – A capital mineira sentiu o efeito da abertura de quase 3 mil novos quartos ao longo do ano e, até setembro, já apontou uma queda na ocupação de quase 13%. Sua RevPAR também caiu, quase 8% em termos reais. Durante a Copa, registrou um leve aumento de demanda, sem grande diferença em relação ao observado no restante do ano. 

Expectativas para 2015

Do ponto de vista econômico, vai ficando claro que o próximo ano será marcado por ajustes fiscais, alta inflação e cenário externo turbulento. O valor do petróleo no mercado internacional e os problemas político-policiais da Petrobras devem diminuir o nível de investimento da empresa e afetar algumas cidades, em especial o Rio de Janeiro.

Do ponto de vista de nova oferta, estão previstos mais de 5 mil novos quartos na capital fluminense, cerca de 1.100 novos quartos em Porto Alegre, além de mais 2 mil novos quartos em Belo Horizonte. Diante do cenário econômico previsto, esse incremento pode solapar taxas de ocupação e diárias, o que constitui um grande desafio para hoteleiros e investidores.

Nas demais cidades (São Paulo, Curitiba e Salvador) a previsão de aumento de oferta é bastante moderada. Apesar da economia claudicante, pode-se esperar taxas de ocupação estáveis ou com leve crescimento, o que deve permitir algum crescimento real de diárias.