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HotelInvest na Mídia

Hotelaria em sedes da Copa terá 2015 difícil

Ingrid Fagundez
13/12/2014

A hotelaria terá um 2015 difícil, com níveis de ocupação caindo para até 40%, queda do faturamento e perda da rentabilidade em metade das capitais que hospedaram os jogos da Copa do Mundo.

O cenário é resultado da construção de dezenas de hotéis, projetados quando o país vivia um bom momento econômico, mas inaugurados em anos de baixo crescimento.

A análise é de estudo feito pelo FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), com a assessoria Hotel Invest e o Senac.

De acordo com o documento, Belo Horizonte, Cuiabá, Manaus, Porto Alegre, Brasília e Salvador devem apresentar os maiores problemas.

Isso porque a oferta de quartos nessas cidades em 2015 deve ultrapassar em muito a demanda prevista.

Segundo o presidente do FOHB, Roberto Rotter, o crescimento econômico em 2010 e 2011, quando os projetos foram pensados, levaram empresários a acreditar que a oferta seria ocupada.

A expectativa de projeção turística durante a Copa também animou as previsões.

No entanto, para o vice-presidente da Abih (associação da indústria hoteleira), Nerleo Caus, algumas construtoras e operadoras agiram de forma predatória, sem fazer estudos de viabilidade.

"As construtoras queriam alavancar o negócio, mas não tinham compromisso com o serviço prestado depois."

Em 2010, a previsão era de 9.000 novos quartos nas cidades-sede até o evento. Segundo o FOHB, além dos 7.000 quartos inaugurados nos últimos dois anos, mais 19 mil devem ficar disponíveis até o fim de 2015, quando há expectativa de ajuste fiscal e estagnação da economia.

Segundo Rotter, a concentração de inaugurações no ano seguinte ao da Copa do Mundo foi causada por atrasos nas obras.

O caso mais problemático é o da capital mineira. Até o fim de 2015, 14 empreendimentos serão abertos. A cidade foi a que mais inaugurou hotéis, motivados por uma lei municipal que deu isenção fiscal a investimentos ligados ao evento esportivo.

A taxa de ocupação prevista para o próximo ano é de 41% em Belo Horizonte, nível em que os hotéis precisam cortar despesas, controlando contratações e demitindo.

"Estamos muito preocupados. Os hoteleiros começaram a conversar e a informar a ocupação para evitar uma guerra da tarifas baixas", diz a presidente da Abih-MG, Patrícia Coutinho.