A prévia do 1º trimestre de 2026 indica que 10 das 12 capitais avaliadas registraram crescimento real no RevPAR frente ao mesmo período de 2025, em um movimento sustentado pelo aquecimento do mercado de eventos e lazer.
Mariana Caselli
May 2026
A HotelInvest, com o apoio do FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), apresenta a prévia trimestral do Panorama da Hotelaria Brasileira, com foco no desempenho do 1º trimestre de 2026 e comparações históricas com os últimos 3 anos. Adicionalmente, são exibidas as médias móveis de 12 meses da taxa de ocupação e da diária para cada uma das capitais analisadas.
O estudo contempla 257 hotéis em 12 capitais (Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Belém, Goiânia e São Paulo), totalizando 46.296 unidades habitacionais. Confira o relatório interativo abaixo:
A diária média no país registrou um aumento real (acima da inflação) de 4,2% em relação ao primeiro trimestre de 2025, mantendo uma trajetória de crescimento moderado impulsionada principalmente pela expansão tarifária. O aquecimento do mercado de lazer e eventos foi fator-chave para o desempenho positivo nacional.
A maioria das capitais apresentou avanço na diária média, com destaque para Goiânia (21,7%), Rio de Janeiro (9,9%) e Salvador (8,6%). O bom desempenho dessas capitais deve-se, em grande parte, à movimentação turística gerada por eventos — como o MotoGP em março em Goiânia — e, no caso de Rio de Janeiro e Salvador, ao efeito do Carnaval e demais feriados concentrados no primeiro trimestre. O crescimento de Porto Alegre (8,1%) reflete a recuperação gradual dos impactos das enchentes de 2024: o primeiro semestre de 2025 ainda foi afetado pela recomposição parcial da malha aérea, o que criou uma base de comparação favorável para 2026.
Em contrapartida, apenas três capitais registraram queda na diária média: Belém (−7,5%), Belo Horizonte (−0,8%) e Manaus (−0,8%). Os motivos diferem entre si. Em Belém, o resultado abaixo da média reflete um claro efeito base: em 2025, a cidade operou com tarifas e ocupação elevadas pela realização da COP30, e a normalização da demanda gerou uma queda natural nos indicadores. Em Belo Horizonte, a queda pontual é consistente com o perfil sazonal do mercado — predominantemente corporativo e de eventos —, cujo volume se concentra no segundo semestre, gerando desempenho mais fraco nos primeiros meses do ano. Em Manaus, o elevado custo das passagens aéreas comprime a demanda corporativa, principal motor da cidade, reduzindo a ocupação e, com ela, o poder de precificação dos hotéis.
Além do aumento na diária média nacional, observou-se também um crescimento de ocupação, ainda que tímido, de 1,9%. Das capitais analisadas, 8 registraram avanço nesse indicador, com destaque para Goiânia (11%), beneficiada pela forte demanda gerada pelo MotoGP no trimestre. Belém (−9,5%) e Brasília (−5,8%) apresentaram as maiores retrações: a primeira pelo mesmo efeito base pós-COP30 já descrito; a segunda em razão do calendário eleitoral de 2026 — em anos de eleições gerais, a dinâmica de campanhas tende a redistribuir parte do fluxo de negócios e deslocamentos entre a capital e os estados, reduzindo pontualmente a demanda por hospedagem em Brasília.
A combinação de crescimento na ocupação e na diária média resultou em avanço real de 6,2% no RevPAR nacional. Dez das doze capitais analisadas apresentaram crescimento real nesse indicador, com exceção de Brasília e Belém. Goiânia (35,4%), Recife (12%) e Porto Alegre (11,3%) lideram o ranking, beneficiadas pelo calendário de eventos, pelo fortalecimento do mercado de lazer e recuperação gradual das enchentes em 2024, respectivamente.
A hotelaria brasileira segue com boas perspectivas para 2026, impulsionada principalmente pelo crescimento tarifário — sinal de demanda aquecida mais do que de simples expansão de oferta. O segmento de eventos mantém forte apelo ao longo do ano, e o mercado de lazer segue em trajetória de crescimento, ampliando a base de demanda do setor.