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Panorama da Hotelaria Brasileira: prévia do 3º trimestre de 2011

O levantamento preliminar do desempenho da hotelaria brasileira no 3º trimestre de 2011 traz uma novidade: a estabilidade na evolução de demanda, decorrente da combinação de crescimento e retração nos mercados analisados. Na maioria dos mercados, esperava-se pouco crescimento de demanda devido à proximidade com o topo sazonal. Porém, somente em São Paulo isso se confirmou. No Rio de Janeiro e em Porto Alegre, houve aumento de oferta, o que permitiu uma maior evolução de demanda, anteriormente não acomodada. Já em Salvador, registrou-se forte retração. Curitiba, por sua vez, apresentou crescimento de oferta e leve queda na demanda. Ainda assim, a ocupação se mantém alta em praticamente todos os mercados, impulsionando bons aumentos de diária.

Comparando o terceiro trimestre de 2011 com o mesmo período do ano anterior, a amostra analisada* apresentou expansão de RevPAR (16,4%) e diária média (17,8%), além de pequena redução na taxa de ocupação (-1,2%). Houve variação positiva na oferta (1,1%) em razão da inauguração de hotéis no Rio de Janeiro e em Porto Alegre. A demanda apresentou-se praticamente estável (-0,1%) e a receita total se expandiu (17,7%).


* Amostra analisada (18.769 no total): Rio de Janeiro (2.431 UHs), São Paulo (8.816 UHs), Salvador (4.301 UHs), Curitiba (1.071 UHs) e Porto Alegre (2.150 UHs). Variação de diária e RevPAR sobre valores nominais.

No Rio de Janeiro, houve a maior elevação de RevPAR (22,3%) dentre os mercados analisados, decorrente de incremento de diária média (18,0%) e ocupação (3,7%). O crescimento da ocupação (em desaceleração, como já se esperava) se manteve, mesmo com incremento de oferta (6,6%), sinalizando que provavelmente existia demanda não acomodada no mercado. A pressão de demanda continua favorecendo o processo de aceleração da diária, observado pelo sétimo trimestre consecutivo.

O mercado de São Paulo mantém um ritmo forte de aumento de diária média (20,8%), porém com leve desaceleração em relação ao trimestre passado. A ocupação, que se aproxima do limite de mercado, apresentou crescimento modesto (1,0%), resultando na segunda melhor evolução de RevPAR (22,0%), posição ocupada juntamente com Curitiba. Mais uma vez, a diária foi o principal direcionador de crescimento da RevPAR.

Salvador registrou a única queda de RevPAR (-4,9%) dentre os mercados acompanhados, resultado de uma forte retração de ocupação (-10,1%) e o menor incremento de diária média (5,8%). No 3º trimestre de 2011, a cidade não sediou grandes congressos médicos como no mesmo período do ano passado, prejudicando pontualmente o desempenho do mercado. Com a desvalorização cambial, é possível que destinos internacionais estejam ganhando também mais competitividade (do mesmo modo como vem ocorrendo com o turismo de lazer) para sediar grandes eventos, em detrimento do Brasil. Assim, a ocupação nesse trimestre recuou para um nível relativamente baixo, afetando significativamente a evolução de diária. Para os próximos trimestres, espera-se estabilidade de diária até que a ocupação volte a um patamar mais elevado.

Curitiba, pelo segundo trimestre consecutivo, apresentou a elevação mais acentuada de diária (24,9%) dentre os mercados analisados. A ocupação, por sua vez, surpreendeu e registrou leve queda (-2,3%), ocasionando evolução mais moderada de RevPAR (22,0%) frente à comparação trimestral anterior. A retração de demanda (-2,1%) e ocupação na amostra de hotéis analisada aparentemente ocorre devido ao aumento de oferta no segmento Econômico (não captado nesta análise), o que pode ter favorecido uma redistribuição de demanda no mercado. Desse modo, espera-se que a ocupação volte a crescer ao longo dos próximos trimestres, até que retorne ao patamar anterior, e se estabilize próximo ao limite sazonal.

Em Porto Alegre, a realização de grandes eventos e a pressão crescente de demanda contribuiu para a manutenção do processo de aceleração da RevPAR (17,3%), observada no último trimestre. O aumento de diária (15,6%) foi o fator de maior relevância na evolução de RevPAR, já que a ocupação teve um discreto incremento com relação ao mesmo período de 2010 (1,5%). A evolução da ocupação tende à estabilidade (aproximação ao limite sazonal do mercado) e a diária deve permanecer em aceleração nos próximos trimestres.