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Panorama da Hotelaria Brasileira: prévia do 4º trimestre de 2011

O levantamento preliminar do desempenho da hotelaria brasileira no 4º trimestre de 2011 indica a manutenção da tendência de estabilização da demanda, ainda como resultado de distintas realidades dos mercados analisados. No Rio de Janeiro, a demanda continua a apresentar crescimento; em São Paulo e Salvador houve retração; e em Curitiba e Porto Alegre registrou-se pequena variação positiva, mostrando sinais de estar próximo ao topo sazonal de ocupação. Com a oferta praticamente estável (com exceção em Salvador), a ocupação conseguiu manter-se em um bom patamar, e o desempenho do 4º trimestre encerra o ano de 2011 com uma boa evolução de diária média em relação ao mesmo período de 2010, inclusive com aceleração de crescimento se comparado ao trimestre anterior.

Comparando o quarto trimestre de 2011 com o mesmo período do ano anterior, a amostra analisada* registrou crescimento da oferta (1,6%) e estabilidade de demanda (-0,1%), ocasionando leve queda na taxa de ocupação (-1,7%). Houve expansão de diária média (20,5%) e RevPAR (18,4%), e a receita total da hotelaria apresentou também variação positiva (+20,3%).

 

 

O mercado do Rio de Janeiro apresentou o maior crescimento de RevPAR (32,3%), resultado de um forte incremento de ocupação (9,2%) e diária média (21,2%). Sem variação na oferta (+0,2%) e com demanda bastante aquecida, os hoteleiros continuam confiantes em reajustar as diárias, em processo de aceleração há oito trimestres consecutivos. O aumento inesperado da ocupação indica possivelmente que a cidade está passando por uma mudança de comportamento de consumo na hotelaria, já que o topo sazonal historicamente observado foi superado pelo segundo trimestre seguido.

Em São Paulo, registrou-se retração na ocupação (-3,0%), devido principalmente à queda de demanda (-2,7%). O Salão do Automóvel, evento bienal importante que costuma movimentar a hotelaria no último trimestre do ano, não foi realizado em 2011. Além disso, o Circuito de Fórmula 1 já estava praticamente definido antes da etapa final acontecer em São Paulo, não atraindo grande público para assistir à corrida nesse ano. Por fim, dezembro foi um mês fraco na hotelaria paulistana, com a ocupação abaixo da normalmente observada nos últimos anos, porém ainda não há razões para crer que este baixo desempenho seja um indicador de tendência para as próximas análises. Assim, mesmo com esses acontecimentos pontuais e queda de ocupação, houve crescimento de diária média (21,8%) e RevPAR (18,2%).

Em Salvador, a abertura de quatro empreendimentos ao longo do ano (Caesar Business, Salvador Business Flat e dois hotéis da Hotelaria Brasil, totalizando 625 novas UHs) associada a uma leve queda de demanda parece estar afetando o desempenho da hotelaria local neste quarto trimestre. A oferta passou por expansão (6,3%) e a demanda recuou (-1,3%), resultando em queda na ocupação (-7,2%). A diária média, porém, se elevou (14,2%), resultando em uma modesta expansão de RevPAR (5,9%). Apesar do aumento de RevPAR, esse cenário de ocupação decrescente pode perdurar, principalmente devido às novas aberturas previstas de hotéis já em construção na cidade.

O mercado de Curitiba continua a apresentar, pelo terceiro trimestre consecutivo, o crescimento mais significativo de diária (28,6%) entre as cidades analisadas. A ocupação apresentou leve aumento (0,9%), resultando na segunda maior expansão de RevPAR (29,7%), somente atrás do Rio de Janeiro. Com pouco espaço para a ocupação se elevar, a pressão de demanda deve continuar favorecendo o ritmo forte de aceleração da diária nos próximos trimestres.

Como previsto no boletim anterior, a cidade de Porto Alegre apresentou variação positiva na diária média (+18,0%), e manteve seu ritmo de aceleração, observado há 3 trimestres consecutivos. A ocupação praticamente não sofreu variação (+0,2%), se aproximando do limite de sazonalidade, e como resultado houve incremento de RevPAR (18,2%). Para os próximos trimestres, espera-se que esse cenário se mantenha, com aumentos de diária conduzindo a evolução de receita.