A HotelInvest, com o apoio do FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), apresenta a prévia trimestral do Panorama da Hotelaria Brasileira, com foco no desempenho do 1º trimestre de 2026 e comparações históricas com os últimos 3 anos. Adicionalmente, são exibidas as médias móveis de 12 meses da taxa de ocupação e da diária para cada uma das capitais analisadas.
O estudo contempla 257 hotéis em 12 capitais (Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Belém, Goiânia e São Paulo), totalizando 46.296 unidades habitacionais. Confira o relatório interativo abaixo:
A diária média no país registrou um aumento real (acima da inflação) de 4,2% em relação ao primeiro trimestre de 2025, mantendo uma trajetória de crescimento moderado impulsionada principalmente pela expansão tarifária. O aquecimento do mercado de lazer e eventos foi fator-chave para o desempenho positivo nacional.
A maioria das capitais apresentou avanço na diária média, com destaque para Goiânia (21,7%), Rio de Janeiro (9,9%) e Salvador (8,6%). O bom desempenho dessas capitais deve-se, em grande parte, à movimentação turística gerada por eventos — como o MotoGP em março em Goiânia — e, no caso de Rio de Janeiro e Salvador, ao efeito do Carnaval e demais feriados concentrados no primeiro trimestre. O crescimento de Porto Alegre (8,1%) reflete a recuperação gradual dos impactos das enchentes de 2024: o primeiro semestre de 2025 ainda foi afetado pela recomposição parcial da malha aérea, o que criou uma base de comparação favorável para 2026.
Em contrapartida, apenas três capitais registraram queda na diária média: Belém (−7,5%), Belo Horizonte (−0,8%) e Manaus (−0,8%). Os motivos diferem entre si. Em Belém, o resultado abaixo da média reflete um claro efeito base: em 2025, a cidade operou com tarifas e ocupação elevadas pela realização da COP30, e a normalização da demanda gerou uma queda natural nos indicadores. Em Belo Horizonte, a queda pontual é consistente com o perfil sazonal do mercado — predominantemente corporativo e de eventos —, cujo volume se concentra no segundo semestre, gerando desempenho mais fraco nos primeiros meses do ano. Em Manaus, o elevado custo das passagens aéreas comprime a demanda corporativa, principal motor da cidade, reduzindo a ocupação e, com ela, o poder de precificação dos hotéis.
Além do aumento na diária média nacional, observou-se também um crescimento de ocupação, ainda que tímido, de 1,9%. Das capitais analisadas, 8 registraram avanço nesse indicador, com destaque para Goiânia (11%), beneficiada pela forte demanda gerada pelo MotoGP no trimestre. Belém (−9,5%) e Brasília (−5,8%) apresentaram as maiores retrações: a primeira pelo mesmo efeito base pós-COP30 já descrito; a segunda em razão do calendário eleitoral de 2026 — em anos de eleições gerais, a dinâmica de campanhas tende a redistribuir parte do fluxo de negócios e deslocamentos entre a capital e os estados, reduzindo pontualmente a demanda por hospedagem em Brasília.
A combinação de crescimento na ocupação e na diária média resultou em avanço real de 6,2% no RevPAR nacional. Dez das doze capitais analisadas apresentaram crescimento real nesse indicador, com exceção de Brasília e Belém. Goiânia (35,4%), Recife (12%) e Porto Alegre (11,3%) lideram o ranking, beneficiadas pelo calendário de eventos, pelo fortalecimento do mercado de lazer e recuperação gradual das enchentes em 2024, respectivamente.
A hotelaria brasileira segue com boas perspectivas para 2026, impulsionada principalmente pelo crescimento tarifário — sinal de demanda aquecida mais do que de simples expansão de oferta. O segmento de eventos mantém forte apelo ao longo do ano, e o mercado de lazer segue em trajetória de crescimento, ampliando a base de demanda do setor.
